Publicado por: gfrochao | Setembro 18, 2009

O Bolo do Caco

Bolo do Caco“Assim cresças pão no forno, como a Graça de Deus se espalhou no mundo. Pai, Filho e Espírito Santo”

A mesa madeirense, desde os séculos primordiais, que apresenta alguns pratos forasteiros. Fruto da sua particular posição estratégica, a Madeira, nos séculos XV e XVI, foi o ponto de acolhimento das rotas de migração de plantas e produtos, recebendo deste modo influências gastronómicas do continente Africano, bem como dos continentes do chamado Novo Mundo.

O Bolo do Caco, hoje apreciado no dia-a-dia do madeirense, e cartaz turístico gastronómico da nossa ilha, retrata exactamente esta abrupta influência trazida pela expansão portuguesa.

De origem árabe, este pão, elaborado à base de farinha de trigo, apresenta um aspecto achatado e de bordas arredondadas.

Deve o nome à forma como, até há bem pouco tempo, era cozido: numa pedra de basalto, denominada “caco”, sobre brasas escaldantes. Hoje em dia, utiliza-se a chapa de ferro aquecida por gás industrial, em detrimento do caco de pedra.

Este elo entre passado e presente ou, se preferirmos, antigo e moderno, encontra-se subjacente a qualquer recolha, isto porque o que era já não é, ou seja, falar na produção do bolo do caco de hoje, é falar numa produção com fins comerciais garantidos, enquanto que, em tempos passados, muitas vezes este pão era feito somente para aproveitar o resto de uma amassadura de pão de casa.

AngelinaContou-nos a Sr.ª Angelina “do Tropias”, padeira caseira, actualmente com 80 anos e que ainda se dedica a este ofício, embora apenas para o fabrico de pão de casa, que para fazer bolo do caco não haviam datas marcadas, referindo-se às épocas festivas em que era comum um enriquecer da mesa à hora das refeições, com carne de porco e outras iguarias que só se comiam no Natal, Espírito Santo e outras festividades em honra de diversos oragos.

Na casa da Sr.ª Angelina, no Rochão, para se fazer o bolo do caco, o trigo caseiro era moído em moinhos de mão, não sendo a separação do farelo uma questão primordial, “…ao amassar ia farelo e tudo…”, não havendo margem para desperdícios. O ritual de amassar realizava-se por entre conversas e murros na massa num alguidar, geralmente de madeira ou barro, de modo a torná-la consistente, seguindo-se a levedura precedida pela habitual bênção da massa. “Quando havia…” a batata-doce era outro ingrediente que se juntava à massa, tornando o bolo mais fofo e doce.

Recolha: Élvio Correia, Daniel Teixeira
Colectores: Nelson Baptista, Élvio Neves, Délio Góis
Informante: Sr.ª Angelina
In: Revista de Folclore 48 horas a Bailar - Edição 2009

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