Publicado por: gfrochao | Outubro 23, 2012

Lava Mãos

Lava Mãos

“De casa para casa de casal para casal”, ninguém dispensava nas suas peças de mobília o Lava Mãos, assim o diz Maria de Nóbrega, do Sitio do Rochão, nascida em 1944 e que se recorda da sua avó utilizar esta peça.

Conhecido também como Pia de Lavatório, ficava colocado junto à cama no quarto de dormir e foi frequente por quase toda a Região a utilização deste utensílio de higiene pessoal “lavava-se as mãos e a cara no Lava Mãos”, Maria de Nóbrega.

O conjunto do Lava mãos era composto por três peças em cerâmica, decoradas a aerógrafo sob vidrado, conta-nos “primeiro era todo branco, depois começou a haver com flores azuis e então começou a aparecer com flores cor-de-rosa com folhas verdes” lembra-se Maria de Nóbrega. Era composto pela Bacia, conhecida também por “Caçoula” ou “Pratão” ficava à altura da cintura, onde se colocava a água para lavar as mãos e o rosto, ao amanhecer ou ao anoitecer. Outra peça era a saboneteira que se afigura a um pequeno pires, localizado por baixo da Bacia, e que servia para a colocação do sabão. Na base da estrutura, a última peça era o “Jarro” ou “Jarrão” com capacidade para 3 a 4 litros, onde era colocada a água limpa. Numa época em que água canalizada não era uma realidade, o Jarro servia para armazenar diariamente água limpa para a higiene pessoal.

As peças eram suportadas numa estrutura metálica, produzida à posteriori na Região por um serralheiro, “íamos ao Funchal, comprar numa loja, tudo com a mesma cor” dizia Maria de Nóbrega. O Lava Mãos também era peça de oferta nas loiças de casamento.

O uso destas peças decorreu em meados do séc. XX, de notar a produção da Pia de Lavatório, pela Real Fábrica de Sacavém fundada em 1850, com registo de 1912 em peças observadas na Região, o que nos leva a considerar a existência desta peça de mobília em meados desta data. O seu desuso começa a se verificar a partir do momento em que os engenhos de água potável canalizada abastecem as casas, passando esta peça a objecto de decoração e também de cobiça por coleccionadores de artes e velharias.

Recolha: Daniel Teixeira
Edição: Daniel Teixeira
Foto: Olga Teixeira
In: Revista de Folclore 48 horas a Bailar - Edição 2012
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