Publicado por: gfrochao | Agosto 28, 2009

Festival de Folclore do Rochão 2009 – A Florista da Camacha

IX FESTIVAL NACIONAL VII INTERNACIONAL DE FOLCLORE DO ROCHÃO

“A FLORISTA DA CAMACHA”

 

A Florista da Camacha é sem dúvida um belo cartaz madeirense que tem chegado aos quatro cantos do mundo de variadas formas merecendo especial atenção e reconhecimento neste festival de folclore do Rochão, que este ano se realiza a 30 de Agosto pelas 20h no Largo da Achada – Camacha.

Este certame que vai já na sua IX edição nacional VII internacional destaca-se pelos seus autênticos e particulares cenários, retratando temas do quotidiano tradicional madeirense.

Os ofícios tradicionais constituem representações expressivas do quotidiano do povo, tendo desempenhado um papel predominante na organização económica da vida das populações, motivo que por si só justifica não só o seu estudo e divulgação mas, também, o encorajamento activo da continuidade de alguns ofícios, ao nível das comunidades.

Nos tempos que decorrem torna-se necessário e urgente valorizar e divulgar este nosso património e, acima de tudo, torna-se necessário debruçarmo-nos sobre os problemas reais com que se debatem as artes e ofícios que fazem parte da nossa identidade cultural.

Sabemos que grande parte destes, devido às rápidas transformações sociais e económicas e às profundas mutações tecnológicas, perderam muito do seu valor e, consequentemente, extinguiram-se.

Face à globalização, há que apostar na continuidade e qualidade destes ofícios ancestrais, oferecendo produtos que nos identifiquem sócio-culturalmente, utilizando estratégias de marketing que aproveitem da melhor forma os recursos que a Madeira na sua forma muito singular dispõe.

Este problema de herança e continuidade não passou ao lado relativamente às floristas da Camacha, no entanto, ainda hoje é possível apercebermo-nos nas ruas e em alguns pontos do Funchal, o encanto que estas figuras rústicas trazem ao ambiente citadino.

Em tempos longínquos as floristas apresentavam-se a vender as suas flores pelo Funchal em frente aos hotéis e locais centrais propícios à passagem de turistas, principais clientes e admiradores das suas belas e invulgares flores.

Costumavam deslocar-se a pé da Camacha até ao Funchal, carregando com grande sacrifício os pesados cestos ou grandes molhos de flores, deambulando pelas ruas da capital madeirense até o esgotar da sua mercadoria, garantindo deste modo algumas economias que ajudavam as famílias nas despesas do dia-a-dia.

Nos finais do século XIX e até meados do século XX era habitual observarmos na Camacha grandes sementeiras de flores, que devido aos seus terrenos férteis e ao seu clima húmido contribuíam para o desenvolvimento destas culturas.

No decorrer do ano de 1935, a 9 de Maio eis que, surge uma Nota Oficiosa da Câmara Municipal do Funchal, regularizando os locais para a venda de flores e exigindo às floristas o uso do traje regional mais conhecido, composto por saia riscada, camisa branca, colete bordado, carapuça e bota chã.

É a partir desta data, que o Mercado dos Lavradores e o jardim junto à Sé passam a ser os principais locais autorizados à propagação desta actividade, apresentando um cenário turístico onde não só brilham as flores como também os trajes vistosos e alegres das floristas camacheiras.

Assim, não se pode revelar um desligamento do poder local a este ofício, no entanto, é importante que se faça uma abordagem antropológica e sociológica que revele os elementos culturais e sociais da economia, mediante a valorização das identidades locais. A cultura dita tradicional surge como um recurso fundamental no cruzamento da economia, do emprego e da cultura, com vista ao incremento de uma perspectiva de desenvolvimento integrado.

Uma última nota de destaque deste Festival de Folclore vai de encontro às novas tecnologias, uma vez que pela primeira vez será transmitido em directo, via Internet, um evento desta índole cultural em http://www.gfrochao.com/.

Texto: Élvio Correia
Tec. Sup. Animação Sociocultural,
Vice-director do Grupo de Folclore do Rochão
Bibliografia:
-Antunes, Lina; “Das Artes e Ofícios Tradicionais: contributos para o estudo do Enquadramento Normativo Legal”, in Observatório das Actividades Culturais, Obs. Nº6, Junho de 1999, pp.17-22
-Ferreira, Lídia; Artigo “Artes e Ofícios Tradicionais – Que Futuro?”, in Revista de Folclore 48h a Bailar, Julho de 2008, pp. 8-9

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