Publicado por: gfrochao | Março 4, 2009

Como Elaborar Uma Boa Recolha

Pesquisa GFR

Numa fase em que cada equipa de trabalho do Grupo de Folclore do Rochão prepara os últimos pormenores do seu plano anual de trabalho, a Equipa de Recolhas do GFR partilha, desde já no blog, as etapas e métodos que se propõe efectuar nas suas recolhas programadas para 2009.

Estando o folclore dentro do quadro das ciências antropológicas e com ligações dorectas a várias ciências, o método de investigação dos seus factos deverão abranger a totalidade do fenómeno ou uma das suas faces, conforme for a orientação seguida. Muitos estudiosos aplicam o método histórico na pesquisa dos contos, adoptando o método histórico-cultural. Outros o fazem dentro dos métodos sociológicos por se interessarem simplesmente pelos aspectos do comportamento de uma comunidade nas suas manifestações folclóricas. Outros ainda visam apenas ao lado psicológico, a fim de espelhar, no facto folclórico, a psicologia coletiva. Há os que procuram métodos estéticos, mas o facto folclórico devendo ser visto como um todo, a sua realidade só se terá pela aplicação dos métodos antropológicos e culturalistas, naturalmente com a atenção devida a determinadas explicações que só terão com o emprego de métodos atinentes a ciências afins. E ainda utilizando métodos auxiliares, como o estatístico, de particular interesse.

A investigação folclórica  pode ser realizada através da Recolha, do Levantamento e da Pesquisa. A Recolha quando quisermos conhecer seja a localização de factos, a obtenção de objectos, ou reunir material de estudo, sendo uma fase preliminar da Pesquisa. Por exemplo, se queremos estudar os bailes do Rochão . Fazemos uma recolha para saber quais são as danças deste sítio, as suas formas e onde se realizavam. Podemos fazer também, para saber quais os objectos folclóricos que lá se usavam e fabricavam e onde se localizam os artesãos e reunindo um número de peças especificas. O Levantamento é quando procedemos para tentar conhecer quais os factos folclóricos, de várias comunidades ou de uma só comunidade, que se encontram numa dada região. Estas duas fases da investigação (Recolha e Levantamento)  podem valer por si ou servirem de base à Pesquisa, quando depois de reunir toda a informação, vamos então conhecer os factos em toda as suas modalidades, verificando a sua morfologia e a sua dinâmica, bem como as projeções que possuem.  A Pesquisa pode ser também de escritório apenas, quando de ordem bibliográfica. Fazer por exemplo uma pesquisa dos autores que investigaram e estudaram determinadas questões folclóricas e tirar as conclusões gerais.

As formas usadas para a investigação são, em primeiro lugar, a Observação, na qual o colector vê, descreve e indica o que viu e ouviu. Esse registo pode ser manual, copiando textos e anotando cantos, descrevendo danças, pertences, cenas, desenhando objectos. E pode ser mecânica, filmando, fotografando ou registando em áudio: disco (CD), ou fita, forma sempre mais aconselhável. 

 O Inquérito  sendo porém uma forma precária de investigação, consiste em enviar a determinadas pessoas um questionário sobre um ou vários factos folclóricos, indagando a respeito do mesmo, na cidade, região.  Este processo rende muito pouco e são raras as respostas recebidas. Isto porque, se o questionário for longo e complicado, então corremos o risco de nao obter resposta. Este deverá ser muito simples e fácil de responder.

A Entrevista é talvez a forma mais importante da pesquisa folclórica. Consiste em conversar com um portador de memórias etno-folclóricas para conhecer determinados factos. No entanto, é preciso muito cuidado, saber inquerir, captar a confiança do entrevistado, não inibi-lo com perguntas complicadas e convencê-lo de que estamos interessados no assunto.  Quando notar que estão se contradizendo, devemos renovar a pergunta, sem que o entrevistado se aperceba, estimulando a sua exuberância e variando as perguntas para um melhor controle da entrevista.

Quando a pesquisa é feita em equipa, e são estas as mais eficientes, há sempre um chefe, que orienta cada fase e coordena as actividades.

 Muito importante é recolher tudo. O colector não pode considerar que as informações, que por vezes parecem sem importância sejam inválidas, porque pormenores há que estão densos de sugestões e que nos podem abrir caminhos numerosos para outras investigações.

Por:  Profº Renato Almeida.
Anuário Folclore 1978

Adaptação: Equipa Recolhas GFR

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