Publicado por: gfrochao | Dezembro 16, 2008

Natal «começa» na Madeira

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Missas do Parto são um património da Ilha e continuam a ser uma das maiores manifestações da religiosidade popular e da cultura madeirenses

Até dia 24 de Dezembro, em quase todas as paróquias da Diocese do Funchal, são celebradas as “Missas do parto”, um património religioso que é vivenciado pelas comunidades paroquiais, através de cânticos e de manifestações muito próprias que unem a liturgia do Advento à piedade popular.

Qualquer pessoa que ande por estes dias na Ilha há-de ouvir falar constantemente na “Festa”, que é como os madeirenses falam do Natal.

Apesar de serem uma tradição secular, as “Missas do Parto” continuam a ser uma das maiores manifestações da religiosidade popular e da cultura madeirense.

Estas celebrações que reúnem a população insular pelas madrugadas de 16 (algumas comunidades começaram a celebrar hoje, dia 15) a 24 de Dezembro possuem uma estrutura e um objectivo comum a todas as comunidades e fazem parte da tradição do Natal, que remonta certamente, aos primeiros povoadores da Ilha.

Embora celebradas nos nossos dias, adaptando-se às vicissitudes da evolução e da vida moderna, são ainda marcadas pelo entusiasmo e participação generalizada. Antes ou depois do trabalho, consoante a hora em que forem celebradas, os fiéis reúnem-se para louvar Nossa Senhora e preparar um Natal que está longe do frenesim consumista dos nossos dias.

É uma tradição que vem de longe, e nem o frio nem a chuva das manhãs de Inverno demovem os fiéis das novenas. À ida para a igreja bebe-se café quente com um “cheirinho” de grogue ou um copito de aguardente com mel, para afastar o frio e o sono. Nalgumas freguesias grupos de folclore e bandas filarmónicas percorrem as ruas com as castanholas, os bombos, as “cabrinhas” ou os acordeons, que acordam os mais dorminhocos.

Nas tradições mais antigas, é o búzio chama às duas horas da manhã: todos conhecem aquela voz, quem vem a caminho também bate a todas as portas. A caminhada dos sítios mais altos até à Igreja é longa e difícil, por caminhos inclinados e estreitos, mas todos avançam ao som dos instrumentos regionais, dos búzios e de muitas dezenas de castanholas.

Fonte: www.agencia.ecclesia.pt/

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