Publicado por: gfrochao | Junho 28, 2008

Música Popular


Foi do Noroeste português que, no século XV, partiram os primeiros povoadores da Madeira. Sabendo isto, não admirará encontrarem-se certos traços comuns à tradição musical das duas regiões.

Começando pelos instrumentos, encontramos a viola de arame, variante local da grande família das violas – braguesa, toeira, campaniça, da terra, etc. –, o braguinha – descendente do cavaquinho – e o rajão – de dimensões intermédias entre os dois anteriores e de cinco cordas, hoje apenas existente na Madeira. Para além destes, destacam-se ainda a rebeca (violino popular), bombo, tréculas e pandeiros.

Os princípios géneros musicais são o bem conhecido bailinho (essencialmente forma de canto despicado, podendo também ser bailado, forma que encontramos habitualmente nos grupos folclóricos), o charamba (uma outra forma de canto despicado, de longa tradição e em vias de rápida extinção) e a mourisca (de formas originais de canto despicado, evoluiu igualmente para um baile próprio de certas zonas da região).

Outras manifestações musicais de grande importância são associadas ao trabalho agrícola e as de carácter religioso. Quanto às primeiras, por força da evolução da sociedade madeirense, encontram-se praticamente todas extintas da tradição. Apenas sobrevivendo graças a registos efectuadas há algumas décadas, ou na memória de alguns dos mais idosos.

As festividades religiosas têm, por regra, cantos próprios. Ainda hoje se podem encontrar numerosas variantes de Cantigas dos Reis (entoadas de casa em casa durante a noite de 5 para 6 de Janeiro), do Espírito Santo (acompanhando as insígnias na sua visita às casas) e de Natal. Em certas freguesias, principalmente na parte norte da Madeira, a Missa de Natal termina com os diversos sítios apresentando as suas «romarias» (oferendas levadas ao longo da igreja, acompanhadas por cantigas criadas especialmente para aquela noite). Em certas localidades conserva-se até hoje a prática dos jogos cantados (de roda ou outros), comuns a outras regiões do país. Merece ainda referência, por último, a persistência do romanceiro tradicional peninsular. Podemos encontrar com alguma facilidade espécimes em versões relativamente arcaicas.

Predominam em zonas como o Caniçal, Machico, Boaventura e outras localidades de maior isolamento (de onde a preservação).

O aspecto mais notório é a exclusividade dos cordofones na tradição porto-santense. É apenas ao som do violino, viola de arame, rajão e braguinha que ouvimos as peças mais antigas desta ilha: os bailes da Meia Volta e Ladrão, a Retirada (nome local do despique em bailinho), Charamba e Meia-noite. A ilha apresenta um aspecto físico completamente diferente do da Madeira. A sua aridez contrasta com a vegetação luxuriante da sua vizinha e igualmente a sua música se caracteriza por andamentos significativamente mais lentos que os da Madeira.

Embora ainda muito insuficientemente estudada, a tradição musical da Região está razoavelmente documentada através de trabalhos de recolha efectuados ao longo dos tempos. Em termos de edição bibliográfica, destacam-se os trabalhos de Álvaro Rodrigues (apenas textos), Eduardo Antonino Pestana, Carlos Santos, Pere Ferre, Anne Caufriez e Xarabanda e Direcção Regional dos Assuntos Culturais (um duplo LP no início dos anos oitenta, parte de um espólio em vias de ser integralmente publicado em conjunto com uma editora privada).

Jorge Torres e Rui Camacho

( Xarabanda)


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